Percepção e simbologia

O anúncio da Boutique dos relógios relativo ao à marca Baume e, enquadrado na revista Sábado apela ao meu lado mais nostálgico. Talvez, seja para mim uma questão de percepção. A publicidade a preto e branco do relógio, com três amigos num quadro de felicidade lembra-me tempos felizes que já passaram.
Segundo Solomon, a percepção é “o processo através do qual os estímulos são seleccionados, organizados e interpretados”. A sensação é vista como a resposta imediata a um cheiro, a uma cor ou a um som, mas é apenas da sua interpretação que surge o conceito de percepção.
Os sistemas sensoriais do marketing para apelar ao consumidor partem, muitas vezes, dos sentimentos e lembranças que podem provocar. A cor tem um grande impacto, nomeadamente porque interage directamente com um dos mais importantes receptores sensoriais: a visão. Por isso, quando surgem imagens em sépia ou a preto e branco associamos imediamente a algo que ficou retido no passado. E, é assim que eu vejo a imagem dos três amigos sorridentes num bicromático. Há cineastas, como Woody Allen e Ingmar Bergman que paginam a imagem a preto e branco como um retrato mais intimista. A ideia é não dispersar o espectador com a cor e centrá-lo na mensagem.
O site Photography Vox refere que as imagens a preto e branco focam o olhar do interlocutor nas expressões e emoções dos sujeitos fotografados. Também há o conceito de que a cor está muito próxima do mundo real, enquanto os tons bicromáticos manifestam um ideário de fantasia. Já o blog do site Fatrabbitcreative, afirma que “o contraste (entre o branco e o preto) cria completude”. Tal como ocorre com o anúncio, o uso do branco e do preto vem enfatizar a existência de um outro objecto (este com cor). O relógio é aqui posto em destaque.
Outra nota a ter em conta é a questão da vigilância perceptiva. O facto de me faltar um relógio torna-me mais susceptível em reparar numa imagem que faça publicidade a esse artigo. Solomon justifica isto com a ideia de que os consumidores têm mais tendência em “estar atentos a estímulos que se relacionam as suas necessidades presentes”.
O tamanho da imagem, que ocupa quase uma página inteira, foi um dos pontos que serviu como estímulo e me fez reparar neste e, não noutro anúncio.
Tal como Solomon explica, o significado dos símbolos ajuda a entender o que motiva a escolher este ou aquele produtor.
Se considerarmos a semiótica através dos olhos de Charles Sanders Peirce, a mensagem está dividida em três vertentes: signo, objecto e interpretante. O objecto (onde se centra a mensagem) é o relógio. O signo ( a imagem evocada pelo anúncio) é a ideia que a vida tem bons momentos que passam. O interpretante (o significado) é a ideia que o relógio tem uma função ambivalente: distingue quem o usa dos outros e capta o momento de convívio e fraternidade. Mas há outra nuance, a frase “Life has its moments” dá ainda a sugestão que o tempo que é uma coisa finita e que é marcada por momentos.
Em conclusão, a percepção e a semiótica jogam com a nossa forma de ver o mundo e definem os motivos que nos levam a escolher determinados produtos ou marcas.

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