Pelos Canais do Telecomandado Consumo

Não estamos perante uma viagem de montanha russa, apesar de se assemelhar na perfeição, mas rumo ao particular e impulsivo mundo das compras, consagradas em modo loop e almejadas, irreflexivamente, com tamanha espontaneidade e delírio.

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E começamos, aqui, o nosso percurso pelos infindáveis e sinuosos corredores do consumo…Deparamo-nos num só espaço, logo à entrada, pelo imponente corrupio de pessoas que percorrem, em simultâneo o mesmo caminho, no entanto traçam um diferenciado destino – o individual propósito do acto de consumir.
Toda a direcção tomada face à aquisição de um bem, sem a prévia programação e consciência da sua necessidade e utilidade, traça uma compra por impulso.
A mudança de direcção, bem planeada e executada, conduz-nos ao racionável e tradicional comportamento de aquisição.
Mulheres e homens, sem aparente classificação à primeira vista, são movidos por singulares motivos na decisão e compra deste ou daquele bem de consumo – no admirável sentido de satisfação de uma necessidade e/ ou de desejo.

Perante a evidência física, predominam as características… As motivações … e no final de contas… As compras!

Paira no ar um cheirinho a pão quentinho… Exala-se uma surpreendente fragrância a rosas… O espaço é amplo e bem convidativo a espreitar cada recanto de uma infinitude de corredores, repletos de formas e cores, bem ao nível de um olhar penetrante.
Somos encurralados por ostensivos obstáculos: ilhas artilhadas de produtos e promoções, de curto alcance num mar imenso alucinante, dão as boas vindas.
Estreitas passagens convidam a ficar… Ao agaturrar daquela embalagem em lugar de destaque…
Uma gastronómica experiência aqui e acolá…Uma saída calculada por uma incalculada atracção: mais uma mão cheia de produtos sob o exacerbado monte de uma longa viagem.
Dá-se a manipulação dos 5 [sentidos]!

Indetermináveis motivações externas e internas estão na génese da considerável questão em torno do comportamento de compra por impulso, cujas características subjacentes estabelecem uma relação distinta com o “tradicional” comportamento de consumo por aquisição.

Por sua parte, de estreita importância para a esfera das estratégias de Marketing, pois estamos sob o domínio da satisfação das necessidades e no despertar dos desejos de shoppers e consumidores – indivíduos cada vez mais exigentes.
Desta forma, para melhor entender os comportamentos de compra, é preponderante, também, ter em consideração a definição de shopper – o típico cliente analítico, observador e ponderante na tomada de decisão de compra; o que interage com o meio, neste caso, o ponto de venda e procura abstercer-se de qualquer pressão sobre a aquisição de um produto.
Sujeito que tem ao seu dispor toda a informação sobre as características, benefícios dos produtos e seus custos; um conhecedor nato das marcas de fabricante e de distribuidor, do seu valor no mercado e um estabelecedor de uma estreita relação com o meio comercial envolvente.Por consumidor entende-se o utilizador final da compra; o que consome, assim por dizer…

Mércolas: uma jornada emocional

Por entre gôndolas, assiste-se ao despontar de um estado emocional.
Uma tristeza; uma rancorosa angústia; uma generalizada ansiedade; uma desfigurada auto-imagem e segurança; uma desmedida alegria e euforia; uma busca de prazer, marcam um iminente desenfreado, persistente e imperceptível desejo de auto-satisfação.
Uma auto-oferta traduz a ausência de um afecto. Toma a vez de um ombro amigo. Sutura uma ferida reaberta.

Verifica-se que as mulheres, por questões de personalidade, natureza biológica e emocional, são associadas em grande parte, ao consumo por impulso.
Dominadas por estados de espírito, entram num êxtase arrebatador, que só culmina com o impulsivo e momentâneo consumar de algo, como uma forma imediata de alívio e gratificação.
Todavia, não é somente uma questão de género, pois os homens também são propensos a tomadas de decisão por impulso.

Outras vias são tidas em linha de orientação na chegada ao destino das caracterizadas compras por impulso.
Uma agradável envolvência “programada” do espaço de consumo confere uma prazerosa experiência de compra, tornando os produtos apetecíveis pelo sentimento que produzem e, não tanto, perceptíveis face à sua finalidade.
Factores psicossociais, demográficos e económicos associados a cada consumidor; estonteantes campanhas de marketing que apelam ao consumo em tempo e stock limitado, assumem-se poderosos gatilhos no comportamento de compra por impulso e, o que eleva muitas vezes, ao patamar do consumo compulsivo, gerador de uma inconsciente dependência e acumulação.

Em posição oposta, no espaço confluente e de lista bem erguida, lança o olhar sobre a prateleira e toma uma decisão: É este!
Único e exclusivo sem demorar o olhar por outra demanda.

A chamada tradicional compra por aquisição caracteriza-se por um tipo de compra em consciência reflexiva, concernente ao carácter próprio de um shopper.
O shopper tem enraizado em si o que pretende, exactamente, adquirir; os custos e as formas de pagamento coligados a determinados bens, procurando ter uma prévia experiência com os mesmos, por meio da consulta de informações suplementares e dirigindo-se, apenas, ao espaço de consumo para, simplesmente, consolidar uma acção.
Não obstante, as compras online definem bem este tipo de comportamento de aquisição.
O consumidor navega cima, a baixo, seleccionando o que lhe suscitou interesse e aguardando a tão chegada do solicitado, de tal modo, que não há lugar a tentações.

É sobre este panorama, num único espaço que circunda e representa dois diferenciados comportamentos de compra, que o Marketing Estratégico e Operacional activam os seus papéis, incentivando ao consumo por impulso, ao aplicar as suas técnicas de promoção e persuasão e por outro ao procurar ajustar as demais características de um bem ou serviço em perspectiva com o manifestado comportamento de aquisição.

Contudo é, cada vez mais notável nas grandes superfícies distribuidoras, a assumida declaração de Shopper Marketing, cujo propósito parte de um conjunto de medidas estratégicas e, consequentemente, o seu planeamento operacional, no sentido de influir uma metodologia de compra que vai desde a tomada de decisão até à aquisição efectiva e respectivo consumo, procurando criar um ciclo de retorno de experiência.

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